22 de setembro de 2012

Nossa visita a CAEX

Muitas vezes nos atentamos apenas à nossa rotina acelerada e esquecemos de olhar para o lado, nem chegamos a perceber o outro. Esse sentimento egoísta é recorrente em nossa cultura, que nos ensina a cuidar apenas de nós mesmos. Motivadas em deixar de lado essa cultura narcisista e insatisfeitas em apenas fazer desfiles em prol de uma causa que não conhecemos de fato, tivemos a ideia de conhecer uma nova realidade e aprender mais sobre ela.


Assim, propomos uam entrevista a Beth Sedrez e a Enilda robe, que fazem parte da equipe que coordena a CAEX, Casa do Amor Exigente, que recupera homens com dependência química. Elas aceitaram e em uma quarta-feira bem quente visitamos a instituição, onde fomos muito bem recebidas e tomamos café com pão e queijo feitos pelos próprios internos. Confira a entrevista:


Eliza Andrade: Como surgiu a CAEX?
Enilda Robe: Há 18 anos eu tive um problema muito sério na minha família: descobri que o meu filho mais velho usava drogas. A situação dentro de casa já estava muito complicada e na época não existia todo apoio que temos hoje. 
Então, eu procurava pessoas que talvez pudessem me ajudar, pois eu não sabia como lidar com a situação. Me indicaram um grupo de reunião do antigo "Amor Exigente", que eu visitei e me surpreendi ao ver pessoas conhecidas com o mesmo problema. 
Passei a frequentar as reuniões, onde todos perguntavam pelo meu filho caçula e eu sempre dizia que estava muito bem, mas na verdade eles já sabiam que ele estava também envolvido com drogas, menos eu! Ele acabou se internando primeiro aos 15 anos de idade, em Rio Grande. A partir daí, tivemos vontade de ajudar a encontrar um lugar para fazer a triagem dos meninos, algo parecido com o que se tinha em Rio Grande. Fizemos alguns contatos e conseguimos uma propriedade no Anglo, onde hoje é a faculdade. E assim surgiu a comunidade terapêutica, a CAEX, uma pastoral da Igreja Católica.


EA: E como vocês sustentam a casa?
ER: Hoje há um preconceito de dizer que a CAEX é cara. Um dependente custa cerca de três salários mínimos, um salário é pago pelas amigas da CAEX e pelos eventos que fazemos, como o desfile que vai acontecer no dia 27/09. Os outros dois salários são negociados com os internos, mas nós não temos ninguém aqui pagando dois salários e muitos, inclusive, ficam de graça. Não deixamos de receber ninguém por falta de recursos, o mais importante é o resgate do ser humano. A casa não é uma instituição com fins lucrativos, nós plantamos alimentos, criamos animais, e todo o serviço é feito pelos próprios internos. Oferecemos tratamento psicológico e trabalhamos em cima de um tripé como metodologia: trabalho, disciplina e espiritualidade.


EA: Quem mais se interessa em pedir ajuda e como as pessoas podem fazer para se aproximar da CAEX?
ER: As pessoas chegam aqui no fundo do poço, já perderam a família, mas é ela que normalmente procura ajuda. Elas conseguem transpor a vergonha e reconhecer que o filho tem o problema. A partir disso, nós exigimos que eles participem do grupo de Mútua Ajuda da CAEX (Rua Padre Anchieta, 3553, Salão do colégio Nossa Senhora da Luz, todas as terças-feiras, às 20h). Também podem visitar nosso escritório na Rua General Argolo, 699, sala 101 (entre Anchieta e Félix) ou entrar em contato pelo telefone: (53) 3272-3900.
Os grupos de ajuda são de graça e as pessoas precisam perder o preconceito de frequentar eles. A família também deve participar do grupo, pois a família também precisa ser tratada. Se ela não se trata, não há recuperação.


EA: E quem quiser apoiar a casa, como pode fazer?
ER: Além de apoiar nossos eventos, nós temos carnês que podem ser pagos por mês ou depósito em conta: Banco do Brasil, Agência: 2950-5 e conta corrente: 5439-9.


Depois da entrevista fomos conhecer o espaço físico e confirmamos como os internos conseguem organizar e desempenhar as tarefas importantes para a rotina da casa como culinária, limpeza, o cuidado com os animais e as plantações. E é claro que sobra tempo para se divertir, tomar uma mate, conversar, ver filmes e tocar algum instrumento musical.


Ficamos muito tocadas com o sentimento que o ambiente nos passa. Adoramos conhecer um pouco mais sobre a causa e não temos dúvidas de que essa parceria com a nossa marca é muito oportuna e gratificante, principalmente para nós. Nosso maior desejo é que todos possam ter acesso ao tratamento e recuperar sua dignidade e sua família.


O Desfile do Amor será no dia 27/09, às 18:30h, no Hotel Jacques Georges Tower, na Sala Antoninha Berchon Sampaio. Outras marcas também estarão presentes, como a O'live joias, Emilice Calçados e Lúcia Tápia e ainda vamos contar com o apoio das empresas: Biri Refrigerantes, Oficina das Plantas, BAS Som e luz e a Oito Assessoria. Os ingressos podem ser encontrados na nossa lojas e custam R$30 reais.


+Estamos aguardando a sua presença!

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